quinta-feira, 18 de junho de 2009

Impulso

Uma vontade diferente me despertou alguns dias atrás. Um apelo discreto, porém decidido, que foi crescendo de dentro pra fora. De repente, todos os livros do mundo voltaram a ser interessantes, todos os filmes me chamavam nas prateleiras, todas as bandas mereciam ser ouvidas, todos os lugares precisavam ser conhecidos. Coisas que sempre fizeram parte da minha vida, ajudaram a construir minha identidade, mas estavam pintadas de cinza, jogadas em um canto qualquer junto com a minha apatia. E aquela preguiça enorme do mundo, da vida.

De repente era possível voltar a sonhar sem censuras e restrições, e era fácil acreditar mais nos elogios e menos nas críticas, principalmente naquelas proferidas por mim. E tudo era assim, uma mistura de esperança, sorriso e determinação. Porque naquele momento havia, ao menos, uma distância, ainda que longa. E o mais importante: havia o impulso.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Tempo

Assim, meio sem querer, já se vão seis meses. Não há razão que justifique meu sumiço. Por comodidade e convenção, vou culpar o tempo.
Tenho feito muitos planos, desistido de outros tantos. E só faço metade das coisas que quero fazer. Descobri que não sei o que quero fazer, decidi que não me importo. As coisas vão como sempre foram: todo dia tudo está diferente.
E não é verdade que eu parei de escrever, foram várias frases, palavras e rabiscos que se perderam nos cantos das páginas dos meus cadernos, idéias que deixei para anotar mais tarde e esqueci.  São histórias sem inicio e fim, porque assim são todas as histórias da minha vida.
Acho que isso é bom.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

The Science of Sleep

E tudo muda em um segundo. Só quem sabe o valor da efemeridade do tempo pode compreender. É um presente da vida, em suas espirais, que os sonhos sejam infinitos e, ao mesmo tempo, feitos de fumaça. Mudam as cores, mudam as formas.
A dor do agora existe, ainda que não hajam cicatrizes. Ela é a mesma do ontem, e vai estar comigo amanhã. Foi ela que me ensinou a ser feliz. Paradoxo? Esses caminhos não são lineares. Talvez haja também a desilusão: um futuro que se dissolve, uma linha que não cruzo, uma vida que não alcanço, um medo de ter jogado fora a plenitude que tive uma vez. Desilusão por estar há milhas de quem eu gostaria de ser. sou a única causa delas. Talvez existam em mim mais conflitos e confusões do que eu permito expor. Atravessam percepções.
Mas a felicidade vem aos montinhos, enquanto você espera pelo ônibus lendo as páginas douradas de um livro que você não sabe se quer devorar ou ler devagarinho para ele não acabar. Não depende de um mundo ou pessoas - por mais importantes que sejam. Ela mora em mim.
E faz tempo que mudei meus passos, foram muitas noites desde a última vez.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Eu em Música

Dando um tempo nos delírios e bobagens melodramática que costumo colocar aqui, um meme musical (que eu peguei desse blog) com duas das minhas bandas preferidas: Smashing Pumpkins e Los Hermanos.

Versão Smashing Pumpkins

1) É homem ou mulher
She

2) Descreva-se:
Daydream

3) O que as pessoas acham de você?
Frail and Bedazzled

4) Como você descreveria o seu último relacionamento?
The Guns of Love Disastrous

5) Descreva o estado atual da sua relação com a sua namorada ou pretendente?
We Only Come Out at Night

6) Onde gostaria de estar agora?
Destination Unknown

7) O que pensa a respeito do amor?
Once Upon a Time...

8) Como é a sua vida?
Blank Page

9) O que pediria, se pudesse ter só um desejo?
Never Let me Down Again

10) Escreva uma frase sábia
The Beginning is the End, the End is the Beginning

Versão Los Hermanos e Marcelo Camelo

1) É homem ou mulher
Menina Bordada

2) Descreva-se:
Sentimental

3) O que as pessoas acham de você?
Cara Estranho

4) Como você descreveria o seu último relacionamento?
Onze Dias

5) Descreva o estado atual da sua relação com a sua namorada ou pretendente?
Tá Bom

6) Onde gostaria de estar agora?
Horizontes Distantes

7) O que pensa a respeito do amor?
Todo Carnaval tem seu Fim

8) Como é a sua vida?
Vida Doce

9) O que pediria, se pudesse ter só um desejo?
Mais uma Canção

10) Escreva uma frase sábia
Tudo Passa

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Mais um Ano




Com certos momentos, vai o tempo. Nossas manhãs, nossos invernos, e tantos (quantos) outros. Outros risos, outros planos, novas lágrimas e a mesma esperança.

Mais um ano. E esse começou com uma gargalhada.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Rabiscos

Este era para ser um post sobre outras coisas, outro momento. Sobre um dia na aula de Teoria da Literatura em que as únicas palavras que eu conseguia escutar eram os sussurros da chuva lá fora, e fragmentos do que disseram os poetas.
Escrevi. Apaguei. Escrevi outra vez e guardei.
Tem coisas que a gente quer dizer e não consegue, ou porque não acha palavras, ou porque não acha ouvintes, ou porque não acha vontade. Às vezes faltam os três.
E é assim que os dias vão sem razão. E nem foi a chateação do outro dia. Amigo a gente perdoa, basta um sorriso que tudo volta pro lugar.
É tudo tão estranho, às vezes. Quando acordo, tudo que eu quero é que o dia termine. Me sinto cansada antes de levantar. E não importa o tamanho que os minutos vão ter, se eu vou rir ou chorar. É dificil saber quando essas coisas mudam: o sentir, o olhar... Agora tudo parece anestésico.
Mas lá se vai o tempo, no seu caminhar irreversível. Ele não quer saber de nada disso. Ele te surpreende, o real te surpreende. A gente não tem controle do viver. Quando nos damos conta, já aconteceu. E você está ali, "na rua, no meio do redemoinho". Rodeado pelo que restou, por índices do passado e pelo que está por vir. Um sobrevivente.

Viver é intransponível.

E esse foi um post sobre nada, e muitas coisas. Não importa. Escrevo sobre o que sinto, e sobre o que vejo, e coisas que nem sempre são alguma coisa. E até a aula de Literatura conseguiu entrar no meio...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

"Eu preciso, sim, de todo o cuidado"

Difícil controlar uma ilusão. É meu abismo.
A vida quase ficou fácil dessa vez. Era para ser paz, momento tranqüilo, menos que uma brisa. Mas eu devia saber que lutava contra o que sou: por trás do semblante calmo e até frio, mora uma natureza inquieta, ressonante.

Mas foi apenas um minuto. Risos e palavras foram tão poucos, mas me sinto tão bem. E não há conselho ou crítica de quem não entenda. Certas coisas estão além da lógica, perfuram a superfície da razão. E são elas que quero amar para sempre. Há quem diga que moro na ficção. Um sonho? Um conto? Um filme? Realidade é só aquela que escolhemos viver. A minha é assim. Um anseio por tudo o que for paixão, e um desejo sufocante de vida, de intensidade.