sábado, 19 de abril de 2008

São olhos úmidos e de sonho que me encaram todos os dias no espelho. Nas manhãs, procuro uma brecha de céu azul ou cinza. Faz sol e vai chover. Às vezes é só pesadelo, às vezes é memória. Coisas distantes, de outras vidas em que era eu e também não era.
Os olhos da menina de cabelos tão negros e tão volumosos sorrindo no brinquedo do parque não são úmidos. São saltitantes, mas são de sonho. É estranho dizerem que ela sou eu. Pouco me vejo, pouco reconheço. O que nos liga é espaço e tempo e distância. É o ser e o sentir. É a fada do pacote de biscoito que não veio. A lembrança mais viva e o eterno quero-mais. Ela existe quando eu durmo, por que não tem muita diferença entre memória e sonho. É tudo imagem esfumaçada de um lugar onde não se pode pisar. E quando choro com ou sem lágrimas, com a cabeça encostada no vidro. E quando sou música. Poesia.
Vivo vidas que não são minhas. Pedi emprestado para não devolver. Culpa daquele aperto morno de quem diz que queria ser você e que tudo é pouco demais. É assim que me encontro e também a alegria. As horas que passo dentro de mim são horas de vida intensa. Quando sou um milhão de outros é que consigo ser eu.

Um comentário:

Apu L. Alchemist disse...

Você me disse, mas vendo com meus próprios olhos é diferente, de fato você escreve coisas muito avulsas, estou um tanto curioso para saber a origem destes pensamentos. Deve estar no mínimo com algum desejo.

Você falou de tanta coisa que fica difícil falar de algo ou de tudo, mas a parte to brinquedo do parque achei legal, lembro que é difícil criarmos na imaginação uma cena de espectador para vermos nós mesmos em alguma situação. A fada do biscoito também foi genial.

Beijos