terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Fragmento

A agulha arranhava a superfície preta do vinil. Do atrito, nascia o som. Dos acordes, a música. Um chiado, uma guitarra, uma canção. Perfeição em pedaços. Uma composição torta, linhas manchadas, notas mascadas. Passos em falso teciam a dança: uma quase valsa incerta e solitária. Uma espera ansiosa subiu do ventre à garganta, despejando um sorriso contido. Era um grito mudo. As vibrações vinham do corpo, silenciosas. Um breve encontrar de liberdade e harmonia dentro de si, apesar do mundo, de tudo.
Implodia. Porque aquele momento era todas as emoções e os sons que perfuravam.

3 comentários:

Otavio Cohen disse...

e, de repente, você é feliz

Apu L. Alchemist disse...

E tem música cujo apenas um trecho é melhor que a música inteira. Foi uma boa observação a sua.

<3

sblogonoff café disse...

Vou te contar uma coisa: Dentro de cada chiado existe um segredo.
A vid anão se concebe sem as rotações.
Nem a Terra é.

Felicidades sonoras!!